[ENTREVISTA] Afastado dos gramados em 2019, Zé Ricardo projeta retorno ao futebol amador em 2020
O ano de 2019 não foi fácil
para o atacante Zé Ricardo. Lesionado, o atleta participou de poucas partidas na
temporada e pouco aproveitou seu faro artilheiro. Se recuperando aos poucos, o
atacante busca retornar em 2020, mas sem pressa, para que o apelido de Super Zé
não fique apenas no passado. “Quero brigar por artilharia, por títulos. Voltar ‘meia
boca’, só para dizer que estou jogando, eu não volto”.
#ENTREVISTA
Por Yuri Casari
Entre os atletas mais
destacados do futebol amador de Curitiba na última década, certamente o nome de
Zé Ricardo aparece entre as opiniões dos adeptos. O atacante é conhecido pelo
seu faro de gol e, mesmo tendo um biotipo típico de centroavante trombador,
mostra grande habilidade. Mas em 2019 o nome do Super Zé não foi citado em
reportagens de jogos, em narrações de gols ou na lista de artilheiros da
temporada. O jogador sofreu uma grave lesão no joelho e teve de ficar fora dos
gramados.
A princípio, o jogador estava acertado para atuar pelo Bangú, onde
atuou no segundo semestre de 2018. “Foi complicado. O ano inteiro fazendo
fisioterapia, musculação, para tentar voltar e não foi possível. Fiz umas cinco
peladas durante o ano e senti dificuldade”, lamentou Zé Ricardo. “Foi a
primeira vez que fiquei tanto tempo parado. Você saber que vai voltar, que tem
uma previsão, é uma coisa. Agora, você treinar todo dia sem uma previsão de
volta e tendo uma melhora pequena dentro do que é esperado, é difícil. Vou te
dizer que chega até dar uma depressão, porque a gente que gosta disso aí, faz
desde os dez anos, e nunca parou, é complicado”, detalhou.
Apesar das dificuldades, o
atacante continua a recuperação e já projeta um retorno. “Houve desgaste de
cartilagem e menisco antes de eu operar. Mas se eu não operasse, ia lesionar o
ligamento cruzado da mesma maneira. Estou melhorando bem e acredito que até
julho, quando inicia a Suburbana, estarei em condições”, explica o jogador. No
entanto, ainda que exista o desejo de voltar a mostrar seu futebol, o atacante
afirma que não há acerto com nenhuma equipe. “Por enquanto, só conversas não
oficiais”, resume.
A carreira de Zé Ricardo no
Amador é longa e de muitas camisas. Mais recentemente, um dos momentos de
brilho do atleta aconteceu no Vila Sandra, onde foi campeão da Série B da
Suburbana, em 2016, no primeiro acesso da história do clube alvinegro.
Novamente na Série A em 2019, o alvinegro conseguiu se manter na elite, e Zé
Ricardo avalia de forma positiva o que tem acontecido no clube nos últimos
anos. “Quando fui para o Vila Sandra já existia uma ideia de deixar de ser esse
time mal falado, que briga, que arruma confusão, que bate, para ser um time que
realmente ia disputar um campeonato para ganhar. E eu sou um cara que gosta de
desafio. Quase todos os jogos ganhamos de goleada, fizemos um campeonato acima
do esperado. E eles conseguiram manter a ideia. A grande vitória no Vila Sandra
hoje é ver o clube estruturado, com vestiário bom, campo bom. Isso fica de
lição para outros clubes, se organizarem e se estruturarem”, comentou.
Atleta há quase vinte anos,
Zé Ricardo tem larga experiência no futebol amador e sabe também das
dificuldades do futebol profissional no Brasil. A linha entre o amadorismo e o
profissionalismo no país é tênue. “Eu comecei a jogar em 2001, nas categorias
de base do Atlético Paranaense. Depois fui para o Paraná, Nacional e Iraty. Na
hora de subir pro profisisonal acabei não subindo e foi aí que comecei a jogar no
Amador. Comecei no Urano, depois passei no Internacional de São José e voltei
ao futebol profissional por dois anos. Fui campeão mineiro da segunda divisão
pelo Social de Coronel Fabriciano. Joguei no XV de Piracicaba e no Formiga, um
time da segunda divisão de Minas Gerais. Aí, por questão de empresário, por não
receber, por más condições de trabalho eu resolvi parar”, afirma.
O problema é que quem ama
jogar futebol sempre dá um jeito de manter o sonho de menino aceso, e foi no
futebol amador que Zé Ricardo fez seu nome dali em diante. “Eu já tava formado
(em Educação Física), resolvi trabalhar e voltar a jogar. Tive um convite através
do goleiro Cezinha para ir ao Olympique. Tinha uma baita equipe na época e eu
também estava muito bem fisicamente. Fomos campeões, primeira vez que fui
campeão no futebol amador. Depois passei por Combate Barreirinha, Iguaçu,
Caxias, onde fui campeão em 2010, Ipiranga, Laranja Mecânica (Campo Largo),
Vila Fanny, Vila Sandra e recentemente no Bangú e no Ypiranga de Palmeira”,
listou.
E se depender da vontade do
jogador, a lista de equipes deve aumentar. Mas o retorno só irá acontecer se o
Super Zé estiver 100%. “Eu só vou voltar a jogar se realmente tiver condições.
Quero brigar por artilharia, por títulos. Voltar ‘meia boca’, só para dizer que
estou jogando, eu não volto”, decretou. Além do futebol, no dia a dia
profissional, Zé Ricardo trabalha com educação física, e espera atingir seus
objetivos em ambas as áreas. “Estou com esse projeto de treinamento funcional
na areia, que vai completar seis meses em um novo local. Trabalhamos com
preparação física, emagrecimento, condicionamento. Fazemos um trabalho com
várias idades, dos 16 aos 60 anos, cada um no seu ritmo. A meta é prosperar
sempre”, encerrou.
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