[AMADOR PG] Após conquistas, Palmeiras atravessa grave crise interna
O Palmeiras
quebrou um jejum de 28 anos sem títulos no cenário amador em 2017. A conquista
do heptacampeonato da Liga de Ponta Grossa pavimentou o caminho para o título
do Campolarguense, que veio logo no ano seguinte e garantiu a presença
alviverde na Taça Paraná. Em um triênio quase perfeito, o Palmeiras reencontrou com as glórias do passado e voltou a sonhar com tempos melhores. No entanto, a
ilusão veio abaixo após uma crise interna que afetou o time na reta final de
2019. Hoje, o alviverde do bairro Órfãs está com as atividades
paralisadas e sem previsão de retorno.
#AMADOR PG
Por Allyson Santos
O resgate da tradição
Com a missão de
levantar um troféu que não vinha desde 1989, o Palmeiras montou um elenco
numeroso e recheado de opções. Sob a comando do técnico Kastilho, um dos nomes
mais consagrados dentro da cidade, o alviverde precisava quebrar um longo jejum
para voltar ao topo da Liga de Ponta Grossa em 2017. Chegaram Ritielly, Nathan,
Gilson Padilha e outros nomes de peso, mas nem por isso a disputa seria fácil.
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| Palmeiras campeão em 1964 pela liga local | Foto: Acervo pessoal |
“Muitos atletas
começaram a faltar logo na reta final da fase de grupos”, relembra o meia Léo
Henrique, que faturou o prêmio de melhor jogador do certame naquele mesmo ano.
“O pessoal tinha que atuar fora da posição de origem. Em alguns momentos
chegamos a entrar em campo somente com dez”, destaca Léo. Logo de início, o
Palmeiras demonstrava a superação e a qualidade técnica que seriam peças chave
na corrida pelo título. As dificuldades que antes eram um empecilho, serviram
para unir cada vez mais o grupo.
Para o goleiro
Guilherme, uma eventual conquista com a camisa alviverde não significava apenas
a quebra de um longo período sem taças, mas também a continuidade de uma
herança. “Meu pai já havia sido campeão no Palmeiras. Eu já acompanhava tudo de
perto, mesmo quando estava do lado de fora”, revela o arqueiro que foi forjado
nas categorias de base da equipe. “Todos os jogos foram uma decisão para a
gente. Foram pelo menos quatro ou cinco jogos muito marcantes dentro daquele
campeonato”, comenta.
O Palmeiras
sofreu para passar pelo Vila Velha nas quartas de final, eliminando a equipe da
Vila Jamil nos pênaltis. Na fase seguinte, o escrete do Órfãs passou pela W-3
em uma virada histórica. Após perder o primeiro jogo por 5 a 3, o alviverde
aplicou 4 a 1 no duelo de volta e garantiu presença na final após uma partida
eletrizante. Na final não poderia ser diferente. A redenção veio após o apito
final, que sacramentou a vitória por 3 a 2 e o sétimo título palmeirense na
Liga de Ponta Grossa.
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| Palmeiras campeão da Liga de Futebol Amador de Ponta Grossa de 2017 | Foto: Reprodução |
Um novo salto
No ano seguinte,
o projeto vitorioso deu um novo passo. A diretoria viu na disputa do
Campolarguense a oportunidade de alcançar a Taça Paraná e optou por não
defender o título em sua cidade de origem. Com um objetivo diferente, cabia a
Kastilho reunir um novo escrete com atletas escolhidos a dedo. “Lembro que o
time foi montado meio às pressas, mas era um elenco de muita qualidade”,
relembra o atacante Farinha, que deixou de lado as cores do América para
defender o Palmeiras naquela competição. Após se classificar em grupo
relativamente fácil, o alviverde desbancou adversários tradicionais na região durante
o mata-mata e garantiu o troféu ao vencer o Avaí da Lapa por 4 a 1 no placar
agregado.
Bastaram apenas
dois anos para que o clube esquecesse as duas décadas sem títulos. Com uma nova
taça na galeria do Estádio Senador Carvalho Guimarães, o escrete estava
classificado para a Taça Paraná de 2019. “Fazer parte daquele time foi muito
gratificante. Tive de jogar por uma equipe considerada rival do América, mas
valeu a pena ter levado o nome da cidade para outros municípios da região e
ajudado o Palmeiras”, destaca o camisa nove.
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| Palmeiras no Campolarguense de 2018 | Foto: Reprodução |
A divisão e o início da crise
O Palmeiras era a
primeira equipe Ponta-grossense a disputar a Taça Paraná desde 2010, ano que o
Olinda representou o município no certame. Não bastasse tamanha
responsabilidade, os alviverdes também se inscreveram na Liga de Ponta Grossa.
Dessa forma, a diretoria optou por dividir o clube em duas equipes. Enquanto
uma disputaria o certame municipal, outra seria desafiada em nível estadual.
Com um
investimento maior, o escrete que entrou na Taça Paraná teve um bom rendimento
ainda sob a batuta do técnico Kastilho. A equipe reuniu vários jogadores
renomados do cenário amador regional. Entre eles estavam os meias Massaí e
Rodriguinho, o volante Tomate e o atacante Pablo, que terminou como artilheiro
da competição com nove tentos anotados. Mesmo com uma boa campanha, o Palmeiras
caiu nas semifinais diante do Trieste e deu adeus ao sonho da conquista do
Estado como 4º colocado na classificação geral.
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| Massaí, um dos destaques do clube em 2019 na Taça Paraná | Foto: Allyson Santos/Agência DRAP |
No certame
municipal, a realidade era outra. Os alviverdes somaram apenas dois pontos no
certame em seis jogos na fase de grupos. Na última partida, os problemas
internos que atingiam a equipe chegaram ao limite e os atletas optaram por não
entrar em campo contra o UCA. “A equipe foi perdendo muitos atletas ao longo do
campeonato. Acho que essa disputa de egos pela titularidade foi um dos pontos
que prejudicaram a gente”, comenta o ex-atleta do alviverde, Gabriel Taques.
Com cinco
passagens pelo clube, o zagueiro Remédio retornou ao Palmeiras em 2019 e
lamenta a situação vivenciada pelo clube, que pediu licença da disputa da Liga
de Ponta Grossa em 2020. “A falta de interesse de algumas partes responsáveis
acabou afetando diretamente a equipe. O Palmeiras tem muita tradição na cidade
e espero que o time volte a ser mais valorizado, assim como o todo o futebol
amador”, destaca Remédio.
Atualmente, o
alviverde está com as atividades paralisadas e sem previsão de retorno. Em
entrevista para a Equipe Drap, o atual presidente do clube, Írio José Krunn
afirmou que a situação do Palmeiras é delicada financeiramente. Segundo ele, o
clube só se mantém com o aluguel do Estádio Senador Carvalho Guimarães e com as
placas de publicidade que ocupam o local. O mandatário encerrou dizendo que a
instituição não dispõe de recursos para grandes competições. Írio dirige o
Palmeiras Futebol Clube há oito anos.
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| Palmeiras e América na disputa da liga local de 2019, válida pela 5ª rodada | Foto: Allyson Santos |
O
técnico que comandou o time na disputa do amador local, Charles Carneiro,
ressalta que a falta de verbas foi outro fator que ocasionou a crise no
alviverde. “No nosso último compromisso não mandei os atletas para o campo. Não
tínhamos mais dinheiro para o pagamento da taxa de arbitragem”, explica o
comandante.
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