[ESPECIAL] Um fruto dos campos de várzea: a trajetória de Lucas Batatinha no futebol amador paranaense
O atacante Lucas
Batatinha é um dos principais nomes do Operário Ferroviário Esporte Clube. A
influência do atleta entre os torcedores não se deve apenas ao seu desempenho
em campo, mas também às suas origens nos campinhos em Ponta Grossa e na região,
onde se destacou em campeonatos que abriram portas para sua carreira
profissional. Lucas Batatinha contou para o portal DRAP a sua história no
futebol amador, junto aos relatos de personagens marcantes deste período.
#ESPECIAL
Por
@cicerogoytacaz
O atacante Lucas Batatinha estreou no Operário Ferroviário
em 2014, depois teve passagens por PSTC, Botafogo-PB e Icasa-CE,
retornou ao Fantasma em 2016, se firmou e desde então é um dos jogadores mais
queridos pela torcida alvinegra. Além dos gols, atuações marcantes, acessos e
títulos, o torcedor ponta-grossense possui grande apreço pelas origens do
atleta. Tudo começou no campinho do Santa Paula, bairro onde Batatinha cresceu
e deu seus primeiros chutes na bola. Na infância e adolescência ele fez parte
do time mirim e juvenil da escolinha de futebol do professor China, que
posteriormente se tornou a equipe do Santa Paula na Liga de Futebol Amador de
Ponta Grossa.
Com o Santa Paula, Lucas Batatinha disputou e venceu o
Campeonato Amador de Ponta Grossa em 2009. “Eu lembro que naquela época a gente
era considerado o time azarão, não era time para chegar nas cabeças”, recorda o
atleta, que ainda pontuou, “a gente chegou com um time muito jovem, com toda a piazada
que era do juvenil da escolinha, chegamos na final e fomos campeões em cima do
Olinda”, completa.
Um de seus companheiros no início da trajetória, Gregory
Pavlak, relata sobre parceria que teve com o atacante Batatinha. “Sempre
estávamos jogando bola, se não era treinando com o China, era na cancha ou no
ginásio do Santa Paula”, relembra Gregory Pavlak, amigo de infância, que emendou
sobre a primeira vez que jogaram juntos. “Foi aos seis anos de idade, pelo time
do Nereu Malaquias, da Mecânica Intercooler (...) na adolescência passamos a
jogar no Santa Paula e por último no Carambeí. O Batatinha é um menino muito
bom, humilde, eu torço muito e fico feliz demais com o sucesso dele, ele merece
tudo o que conquistou e muito mais”, conclui.
Disputando a Taça Paraná de Futebol Amador com o Santa Paula,
Lucas Batatinha conheceu o vitorioso técnico Ivo Petry, que se tornaria um
personagem fundamental em sua história. “Logo na primeira rodada enfrentamos a
equipe de Campo Largo, do senhor Ivo, que era uma máquina (...) fiz os dois
primeiros gols naquele jogo, mas eles que ganharam, por 3 a 2”, relembra
Batatinha.
Em 2011, a convite de Petry, Lucas
Batatinha vestiu a camisa do Internacional de Campo Largo, onde foi campeão da
Taça Paraná. No ano seguinte, repetiu o
feito com a equipe campo-larguense, sendo o artilheiro da competição estadual com
11 gols. “Sempre tive com ele, desde o amador e também apoiando para se firmar
no profissional, inclusive em suas oportunidades no Operário”, conta Petry.
Juntos, Ivo e Batatinha, disputaram a
Suburbana de Curitiba pelo Trieste Futebol Clube, em 2013. A equipe chegou à
final contra o Santa Quitéria e sagrou-se campeã daquela edição. Lucas
Batatinha participou da campanha do título, mas não pôde estar em campo durante
a final em virtude do acerto profissional com o Operário. Também em 2013, Batatinha
voltou a disputar o Campeonato Amador de Ponta Grossa, agora pelo Carambeí.
“Como os jogos da Suburbana eram no sábado, eu vinha para Ponta Grossa no
domingo para jogar o Amador”, explica o jogador.
Na época, comandado pelo técnico
Carlos Alberto “Cavalo”, Batatinha foi campeão e artilheiro da competição, com
mais de 30 gols marcados. “Ter trabalhado com o Batatinha é motivo de muito
orgulho para nós. O pai do Lucas é meu amigo pessoal, os avós dele e os meus
pais sempre foram amigos, então é como se ele fosse da família (...) a gente
torce para que ele voe cada vez mais alto em sua carreira”, confia.
Depois do desempenho na Liga de Ponta
Grossa em 2013, os olhares passaram e foram outros. “Como marquei muitos gols
naquele campeonato (Amador de 2013), surgiu o interesse do Operário. Na época o
diretor era o Jorge Nunes e ele me convidou para fazer um teste (...) Eu tinha
meu trabalho, minha vida pessoal. Foi difícil, pois tive que largar tudo para
me dedicar a essa oportunidade”, completa.
Em 2014, Lucas Batatinha estreou profissionalmente pelo
Operário no Campeonato Paranaense. No segundo semestre, foi emprestado ao PSTC,
de Cornélio Procópio, onde foi artilheiro da segunda divisão estadual. Foi então que Lucas Batatinha viveu uma fase
conturbada em sua carreira profissional. Após passagem frustrante pelo Icasa,
do Ceará, ficou sem clube e acabou retornando ao futebol amador paranaense. Ivo
Petry foi um dos responsáveis por trazê-lo de volta. No segundo semestre de
2015, Petry e Batatinha voltaram a trabalhar juntos no Novo Mundo, de Curitiba,
onde foram quarto na tábua de classificação da Série A da Suburbana daquele ano. Em 2016, com apoio de Petry, Lucas Batatinha conseguiu uma
nova oportunidade no Operário Ferroviário e retomou sua carreira profissional. “Continuamos
torcendo para que o Batatinha cada vez mais se firme no cenário do futebol
brasileiro, ele tem muita qualidade”, confia Petry.
Período que ficará para sempre na memória do atacante
Lucas Batatinha, que valoriza a trajetória no futebol amador. “Sair do Amador
para se tornar profissional é muito difícil e é cada vez mais raro de
acontecer. Hoje tem que passar pelas categorias de base e ter uma instrução
desde pequeno. Por isso, eu considero que tudo o que sou hoje é graças ao
futebol amador e as pessoas que eu conheci e trabalhei lá atrás, como o China,
como o senhor Ivo, o Reginaldo Vital (...)”, declara Batatinha.
O atacante, hoje no operário, define a sua trajetória até
o momento e que resume em uma palavra, segundo Batatinha. “A palavra que se
encaixa na minha vida é perseverança, pois muita gente duvidava de sair do
amador e conseguir uma oportunidade no profissional (...) hoje acho que sou
motivo de orgulho para muita gente por tudo o que vivi e por tudo o que eu
passei lá atrás, foi difícil, mas eu tinha que passar por tudo isso para ganhar
experiência na vida e na minha carreira”, conclui o atleta.
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